CFESS divulga nota sobre reportagem do programa Fantástico, da TV Globo
Reprodução do site do programa Fantástico
No
último domingo, 27 de novembro, foram noticiados, em âmbito nacional,
denúncias de corrupção envolvendo Secretarias Municipais de Assistência
Social. Os fatos apresentados na reportagem do programa Fantástico, da
TV Globo, contrastam com os avanços jurídico-políticos que a Política de
Assistência Social brasileira teve nos últimos anos.
A
assistência social do país, ao longo de sua história, foi objeto de
inúmeras práticas de corrupção e desvio de verbas, mas desde a aprovação
da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), em 1993, militantes,
trabalhadores/as e usuários/as desta política têm tentado construir
mecanismos que impeçam tais práticas. A criação de espaços democráticos
de controle social, através dos conselhos, fóruns e conferências de
assistência social, resulta da tentativa de construir instrumentos que
permitam o monitoramento, avaliação e acompanhamento, por parte da
sociedade, das ações, serviços e projetos desta política, incluindo
neste processo a fiscalização da utilização dos recursos do fundo
público destinado à assistência social.
A reportagem que expôs as
situações, objeto de denúncias e investigações, explicitou um processo
que acompanha o Estado brasileiro desde sua formação – a apropriação
privada da máquina estatal pelas classes dominantes, da qual a figura da
primeira-dama é a expressão caricaturada. A persistência desta prática
política, legatária do nepotismo, representa a manutenção de velhas
práticas que abrem caminho para situações como as noticiadas.
Outro
importante elemento presente na reportagem diz respeito à existência de
fundos de solidariedade, administrados pelas primeiras-damas, que
tiveram recursos utilizados para compras pessoais e foram alvo de ações
de corrupção e desvio de verbas públicas. A LOAS e depois os
instrumentos legais que foram criados na sequência (PNAS, NOBSUAS, Lei
do SUAS), consignaram a obrigatoriedade da criação do Fundo de
Assistência Social (municipal, estadual e nacional) como instrumento que
concentra a alocação de recursos destinados às ações da política de
assistência social. Os referidos fundos devem, como se sabe, ser
administrados pelas secretarias de assistência social e acompanhados
pelos conselhos de assistência social em todas as esferas de governo,
inclusive cabendo a esses últimos a aprovação ou não da prestação de
contas dos respectivos gestores; deve ainda ser garantido o comando
único na gestão da referida política, o que inclui a execução
orçamentária. No entanto, infelizmente, a existência de fundos
paralelos, além de comprometer o comando único da política social,
facilita a prática de corrupção e desvio de verbas, pois estes recursos
públicos não passam pelo controle da sociedade.
O Conselho
Federal de Serviço Social (CFESS) vem a público manifestar sua
indignação frente às denúncias de corrupção e desvio de verbas públicas
da política de assistência social, pois os milhares de reais que
sangraram do orçamento público certamente resultaram no sucateamento dos
serviços prestados à população usuária dos serviços socioassistenciais e
na precarização das condições de trabalho dos/as profissionais da
assistência social. Estamos às vésperas de iniciar a VIII Conferência
Nacional de Assistência Social e os fatos relatados no noticiário
dominical nos coloca a certeza de que é preciso avançar na construção de
mecanismos que neutralizem as forças conservadoras da sociedade
brasileira, que enriquecem às custas da apropriação privada do Estado.
Torna-se urgente e necessário a construção e o fortalecimento do
controle democrático da assistência social.
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)Gestão Tempo de Luta e Resistência (2011-2014)